domingo, 29 de maio de 2016

Amar em dois tempos

   Morava no interior  e vivia ainda menina nas terras do avô com todos os tios e tias ao redor. Os pais ajudavam na lida pesada e diária do trabalho na terra. Todos viviam e dependiam do que ali fosse produzido. Café, cana para rapadura e bagaço para o gado, arroz de várzea, muito milho para o fubá, para a farinha e para o gado. E tantos outros plantios de época. Havia também um extenso pomar com muitas qualidades de frutas. E havia ainda os filhos e netos da escravidão. Esses eram de casa. Mesmo porque a carta assinada pela princesa Izabel não arrancou deles o respeito, a obediência e a hierarquia. Isto só o tempo e as conquistas de cada um ao final daquele derradeiro século, por todo o próximo e por outros ainda vindouros séculos.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Crônica: Deixar-se perder em BH

   Um cansaço sem explicações tomou conta do meu corpo. Suores molharam minha face e meus cabelos esquentaram minha cabeça. Havia tanto o que fazer naquela sexta-feira e acabei me perdendo entre panelas, xícaras, roupas para lavar, documentos a serem decifrados, almoço e uma infinidade de tarefas a serem executadas.