terça-feira, 9 de maio de 2023

História infantil - Um Monte Everest no meu quintal

                                  

                                         Ilustração: Flavinha - Ubá (M.G.)

Eu vi. Eu vi com meus olhos bem abertos. Estava tomando meu café e, de repente, meus olhos olharam aquela coisa esquisita bem no meio da grama do meu jardim. Fingi que não vi. Deixei pra lá aquele montinho de terra.

O que será aquilo? Nem vou chegar perto!

Se meu neto estivesse por aqui, certamente me diria:

- Vovó, vamos ver o que é. Deixe de ser medrosa.

Então eu iria bem ao lado dele.

Os dias foram passando e eu só olhando aquele monte de terra crescendo como se fosse o monte do Everest feito de terra vermelha bem no meu quintal.

- Ô vovó, larga mão de ser exagerada e vai logo ver o que é aquilo.

Mas meu neto não está por aqui. Então nem fui lá.

Acho que é um formigueiro. Eu morro de medo de formigas. Por aqui tem as formigas lava-pés, tem as formigas cabeçudas, tem aquelas formigunhas doceiras. Nem chego perto.

Agora o monte cresceu demais. E se tiver uma cobra cascavel escondida dentro daquele monte? Terei que ter muito cuidado.

Hoje o Cornélio veio capinar o terreiro e me falou:

- Vou jogar esse cupinzeiro para as franguinhas.

Fui lá ver e vi que, as minhas futuras galinhas poedeiras, estavam se deliciando com aqueles bichinhos brancos.

Meu monte Everest vermelho virou comida de galinha.

Observação: peço ao meu neto e às crianças que escutarem essa história para me ajudarem a desenhar essa história. Enviem para que eu ilustrar a história. Ok? 

Meu email é:contosderivelli@gmail.com

terça-feira, 2 de maio de 2023

Crônica: Aos pés da liberdade

 

                                         

Desta vez escolheram a cidade De Tiradentes. Foi uma escolha vencida numa votação entre poucos iguais. É sabido sobre os pensamentos libertários daquele que sugeriu tal cidade. E a cidade recebeu a todos com generosas pitadas de mineiridade.

Aos poucos foram chegando os colegas sexagenários. Tinham brilhos intensos nos olhos. Algumas gotas d’água, notadas às vezes, tornavam-os ainda mais brilhantes. Tinham abraços fartos; tinham risos quase infantis e desejos. Certamente tinham desejos de voltar àqueles tempos de ontem. Ali, irmanados pelo convívio na faculdade de medicina durante tempos sombrios, éramos crianças de novo. Brincamos nas ruas. Tropeçamos nas pedras e passeios desajeitados assim como desajeitados estávamos todos nós. Ali só havia lugar para uma elegância. A elegância das rugas enfeitando o rosto de cada um, a elegância dos cabelos brancos, mesmo aqueles escondidos sob as cores extravagantes nas “meninas”. A elegância do respeito às diferenças. Ali éramos nós, enodados pelas histórias comuns, ávidos pelas lembranças dos desvarios de alguns.

Ali, a liberdade respirava em nós.

Aos pés da Serra de São José Operário, neste dia do trabalho, ali, estávamos nós, trabalhadores médicos; médicos de um tempo em que se fazia da medicina a arte de humanidade. E as histórias contadas corroboravam com o juramento da medicina hipocrática.

Mas ali não estávamos doutores. Estávamos tão só crianças brincando de contar histórias, alucinadas com os coloridos estampados pelos comércios locais, famintas pelos cafés da manhã seguinte. E como crianças, escondidas de nós mesmos na calada da noite, bebemos vinho sob a proteção das estrelas e de uma tímida lua crescente.

Devo confessar que não queria dormir. O tempo pedia, a todo instante, um afago no ombro, uma palavra bem lembrada, um abraço, um sorriso, até mesmo um silêncio se fazia companheiro.

Em Bichinhos, mais uma vez, a história dos sonhos de liberdade dos inconfidentes nos foi contada na resposta dada sobre esse nome incomum. E algumas inconfidências estavam ensurdecedoras dentro de nós. Mas essas, eu juro, que não contarei.





                                                                 Nossa Senhora do O

                                                               Pousada do O


                                                       Estrada de Tiradentes a Bichinhos