Não pensem que foi fácil arrastar malas pelo aeroporto internacional de Auckland até o aeroporto doméstico que fica do lado de fora. Não fosse minha nora com a mala pesada pela faixa verde, sob uma chuva fina, fria e ventos por todos os lados, eu estaria perdida. Mas tudo valeu a pena ao ver meu neto me receber brincando de pique-esconde pelo saguão do aeroporto da cidade de Christchurch. Parecíamos duas crianças. E, naquela hora, éramos duas crianças saudosas de abraços e de muitas brincadeiras.
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Estou por aqui há duas semanas.
No primeiro final de semana fomos à biblioteca central do município. Entre vários espaços e livros, muitas pessoas lendo sentadas em confortáveis poltronas, outras tantas pegando ou devolvendo livros, muitas mães com seus pequenos circulando por todos os cantos.
O prédio tem quatro andares interligados por belas escadas, rampas de acessibilidade e elevadores. No andar para a criançada havia vários outros espaços com contação de histórias, vestuários para encenações, estantes baixas para que cada criança possa escolher seus livros e terminais de computador para fazerem as transações desejadas. Pude ver crianças asiáticas, muitas delas chinesas, tantas outras indianas ou do Sri-Lanka, como disse meu filho. No quarto andar havia várias oficinas, algumas de costura, oficinas de crochê, de tricô, de computação, de robótica, etc. Saí dali encantada e entristecida ao pensar nas crianças carentes do meu Brasil ou, até mesmo, crianças da classe média.
No domingo, dia 17, fomos ver um amigo do meu neto desfilar na abertura do ano novo chinês, o ano do cavalo de fogo. Muitas cores, muitos cavalos, dragões, muitos mascarados e uma charanga tocando músicas regionais. O desfile terminou numa praça envolta pelo famoso rio Avon. Adorei ver a criançada chinesa participando do evento.
Porque a fome chegou fomos almoçar num mercado e, ao acaso, sentamos defronte a um restaurante argentino. Comida grega cheia de folhas e iogurtes envolvida numa massa de pão como um sorvete.
A seguir caminhamos ao longo do rio Avon com suas margens arborizadas com por inúmeras árvores de bordos (árvore nativas da Coreia do Sul e do Japão, cujas folhas lembram o carvalho e, que no outono ficam avermelhadas). "Papai esta é aquela folha?” agacha e apanha a tal folha. Uma folha de GINCKO, que segundo meu neto, a árvore viveu na época dos dinossauros. Chegando em casa me mostra seu livro da evolução da Terra com suas plantas ou animais das eras terrestres. Fiquei pasmada com esta informação. (Lembrei do medicamento Ginkgo biloba que muitas vezes prescrevi conforme fui orientada por colegas da clínica médica e da geriatria)
Meu neto, às vezes, vem devagarinho encostando e sentando no meu colo enquanto escrevo ou enquanto estamos conversando ao redor da mesa. Nesses momentos sinto-me no céu.
Vovó Zarinha
Observação: meu neto fez as mudanças no layout do meu blog com a mãe fazendo um posterior ajuste. Espero que tenha gostado.
Registros ¨fotográficos": aprendi com nosso saudoso Sebastião Salgado que o celular apenas registra aquilo que queremos enquanto a máquina fotografa.
Afinal é o ano do cavalo
27/02/2026

