quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Crônica: Mudanças em mim
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Crônica: Uma mulher chamada Fina
Quando soube que ela estava morando no asilo da minha pequenina cidade natal, quase não acreditei. Não é possível! Ela fez parte da minha infância. Muitas vezes ficava olhando para ela da janela da casa da minha avó, pensando sozinha com os meus botões.
Mais do que querer vê-la, eu precisava olhar para ela, conversar com ela. Seria uma maneira de entrar em contato com minha infância outra vez. Eu faria uma viagem no tempo percorrendo toda a história que ouvia contar dela. E adorava ouvir falar dela ou de quaisquer pessoas da sua família.
Jamais esqueci seu andar apressado jogando o tronco sobre o abdome, carregando nas mãos seu terço, o véu branco dobrado, com os folhetins das missas daquela semana e suas cantorias. Às vezes estava toda vestida de branco com a faixa azul-claro em volta do pescoço, símbolo das Virgens de Maria. Seriam dias de festas religiosas?
Ela morava na maior casa da praça, numa esquina. Um grandioso chalé. Teria sido herança da velha tia que não se casou? Será que ela foi criada por essa tia? Acho que aquela tia morreu quando eu ainda era bem criança. Não me lembro dela e nem de ter entrado naquela casa mesmo sendo parente bem próxima. Nem precisava. Se fosse lá poderia ter quebrar o encanto que eu sentia por Fina. Ou melhor, pelas duas irmãs inseparáveis.
Amém.
25/08/2026