quarta-feira, 22 de abril de 2026

Diário da vovó 7: Belezas naturais por todos os lados





Viagem surpresa


Nada me foi dito sobre a viagem. Só sabia que atravessaremos o país de uma lado ao outro, no sentido transversal da ilha sul. Meu filho mora na cidade litorânea de Christchurch, bem ao meio da costa da ilha Sul, sendo a segunda maior cidade do país com cerca de quatrocentos e cinquenta mil habitantes. É uma cidade plana com uma bela encosta que vai dar num porto marítimo do outro lado da cidade. Aqui tem uma grande colônia de imigrantes brasileiros, latinos e outras tantas colônias de asiáticos. Nos supermercados vemos pessoas dos mais variados países da Ásia, de muitas raças, com suas roupas e indumentárias tradicionais.

Dois eventos marcaram, recentemente, a cidade: um terremoto em 2011 provocando a morte de mais de cento e oitenta pessoas e um atentado terrorista em 2019, dentro de uma mesquita com mais de cinquenta mortos e oitenta feridos.

Deixemos os fatos tristes e vamos conhecer o lado do país banhado pelo Mar da Tasmânia.

Sábado cedo e lá vamos nós. Água e frutas para atravessarmos os 242 km até nosso destino, a cidade de Greymouth. Nossa primeira parada: um descampado onde havia muitos carros estacionados e pessoas de todas as idades caminhando por uma trilha em direção a várias pedras gigantes plantadas num terreno bem elevado. Silêncio total. Senti um grande bem estar ao caminhar por ali. Pedras de vários formatos e tamanhos incrustadas na terra. Estávamos diante de um Santuário Māori. (Da primeira vez que estive no país consegui participar de uma cerimônia Māori e fiquei ainda mais encantada com este povo e sua história de resistência e luta).

Dudu aproveitava cada espaço, seja escalando as pedras, escondendo entre elas e fazendo várias perguntas. Ele tem sido sempre um excelente companheiro de viagens e descobertas.

Seguimos imbuídos da paz vivenciada no Santuário. Uma parada para nosso almoço numa simpática lanchonete na beira da rodovia na cidade de Springfield.

O Santuário está localizado aos arredores de Castle Hill Village.

Passamos pelas cidades de Arthur Pass e Moana, onde existem numerosas trilhas na mata em direção às montanhas geladas que atraem trilheiros de vários lugares do país.

E chegamos no nosso destino, uma típica e aconchegante pousada em Greymouth.

Na manhã seguinte outra surpresa: Punakaiki Pancake Rocks.

- O quê será isso?

- Virgem Maria, que som estrondoso é este?

Éramos meu filho e eu nas trilhas para ver o Mar da Tasmânia. Muitas pessoas caminhando de um lado para outro entre vegetações, pinguelas, muretas de proteção e mirantes. De repente meus olhos viram pedras gigantescas dentro de um mar barulhento e ondas arrebentando nelas. Ali estavam as tais pedras gigantes, em formas de panquecas sobrepostas, esculpidas há trinta milhões de anos pelos movimentos das ondas. Inexplicável o sentimento diante de tal grandeza. Respirei fundo algumas vezes. Estávamos na altura das pedras e o mar barulhento fazendo mil caminhos por entre elas. Muitas fotos e um belo vídeo, feito por minha nora, das ondas batendo nas pedras e saindo por entre uma abertura.

- Um geiser! Brincou meu neto

Retornando ao estacionamento vi que havia mapas de outras tantas trilhas pela mata da encosta, do lado oposto ao Mar.

Entramos no espaço cultural em arquitetura Māori, mas o tempo era curto para ler tantas informações, ver as peças expostas e os souvenirs.

Voltamos ao carro e seguimos adiante.

- Ainda teria outra surpresa? Pensava eu.

Estávamos em Hokitika Gorge. Carro estacionado novamente, seguimos a pé noutra trilha em meio a uma floresta.

- Neste país parece que todos comem canela de cachorro. Eles andam sem parar por incontáveis trilhas. Assim era eu andando com meus pensamentos.

Logo no início pude notar a queda brusca da temperatura e a umidade no meio da mata. De repente uma enorme ponte/pinguela de madeira e arame, suspensa, atravessando para o outro lado da mata. Lá embaixo um rio das águas cor de turquesa.

- O que é aquilo? Era eu perguntando a minha nora. Ela me explicou que a cor azul/jade, impensável, das águas seria resultado de resíduos das rochas de granito onde nasce o rio.

Continuamos nossa trilha, agora margeando o Rio Hokitika das águas azul turquesa. Eu já não conseguia deixar de olhar o leito jade do rio.

- Como esse país é tão rico em belezas naturais, em aproveitamento e respeito aos espaços , em preservação ao meio ambiente e educação ambiental, etc. Era eu, mais uma vez, conversando com meus pensamentos.

Encantei-me com esse país desde que assisti aos premiados filmes “O Piano“ e “Encantadora de Baleias”. Jamais poderia imaginar que, um dia, meu filho viesse morar aqui e eu viesse visitá-los.

Naquela hora minhas pernas já pediam descanso.

Próxima parada, a cidade de Hokitika que tanto me aparece nas postagens do Facebook sobre a Nova Zelândia, rica tambem em sua gastronomia. Não acreditei que estivesse ali.

Meu filho e minha nora caçoando de mim, perguntaram:

- Aqui tem espetinhos de grilos, quer comer um?

21/04/2026


Observação: devo creditar ao meu neto, Eduardo, a viabilidade desta postagem. Não fosse ele, com suas habilidades em informática, eu nao conseguiria fazê-la uma vez que o computador do pai dele está falatando algumas teclas.

Pedido: Por favor, deixe seu nome no final do comentário, caso queira fazê-lo.
 
Fotografias: álbum da minha nora, a quem deixo meus agradecimentos.

       A 50 m um mirante para ver o rio Hokitika (jade/ turquesa)

                         Punakaiki Pancake Rocks (Mirante)



                                           Meu filho e eu


                                Com minha nora


                                      Santuário Māori



                 Informações  sobre o Santuário Māori


       
Pedras sobrepostas como panquecas



                    Mirante para outra vista


                    Iniciando a trilha até  o Rio Hokitika





                            Santuário Māori 







                     Rio Hokitika





                     Pinguela sobre o rio Hokitika




         Dudu brincando com as esculturas feitas com restos de troncos trazidos pelo mar expostas na praia em Hokitika









                   Por do sol na praia em Hokitika




                           Santuário Māori 



         Mirante para ver viaduto em curva na rodovia





Santuário Māori - expressão da cultura Māori, escultura em pedras, como um broto de samambaia.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Diario da vovó 6: Em cartaz: o maior toboágua da Nova Zelândia





Esperem que, devagarinho, chegarei onde se deu o maior vexame por aqui, até então.

Chegou o dia da nossa viagem por entre os Southern Alps, ou seja, os Alpes do Sul, localizados na costa leste da Ilha Sul da Nova Zelândia, uma imensa cadeia de montanhas por onde descem vários veios d’água. Durante o inverno as montanhas cobrem-se de gelo e as águas, que descem, ficam azuladas. São  paisagens inimagináveis ao longo de toda a estrada até a cidade de Hanmer,  onde passaríamos o final de semana num grande parque aquático com  piscinas geotermais e o maior toboágua do país.


Como sempre, tudo muito bem organizado. Várias piscinas espalhadas por um amplo espaço entremeadas por muitos jardins. Piscinas de variados tamanhos e formas, com degraus, corrimão e bancos internos para que fiquemos sentados. Do lado de fora de cada uma delas havia informações sobre temperaturas - de zero grau até 42 graus celsius - e  os  componentes químicos presentes nas águas de todas elas. Elas das montanhas geladas ou das rochas vulcânicas. Na primeira que entrei, achei que viraria um ensopado: muito quente.


Mas o Dudu queria mesmo era aproveitar os toboáguas, entre eles estava o maior toboágua da Nova Zelândia. Com Rafael, o amigo do pai, eles começaram a subir e descer dentro daquele tubo verde-amarelo que desacelerava numa rampa a quase noventa graus em relação ao eixo central da Terra, como já havia  explicado minha nora, arquiteta.


Não vou naquilo de jeito nenhum, fui logo avisando para meu filho. Mas a sedução pela experiência foi so crescendo dentro de mim. Na segunda vez aceitei o desafio. Subi os oitenta degraus até a plataforma de embarque daquela coisa. Na boia-barquinho, meu filho na frente e eu, atrás, segurava nas alças daquilo. E lá vamos nós. 


-Ah seu filho da p*ta, como que você faz isso com sua mãe, seu desgraçado, filho da mãe, você me enganou! Socorro!  Oh meu Deus, por que fui acreditar no eu filho!  


Era eu, sem parar, gritando com meu filho que só ficava dando gargalhadas. Quando caímos na rampa, tive a sensação de que iríamos capotar.


-Deus me livre de um troço deste! 


Dudu se divertiu comigo ao lado do seu pai e continuava aproveitando o amigo nos diferentes toboáguas. 


Fiquei feliz por ter conseguido ir e vir,  nadando, na piscina pré-olímpica, de temperatura ambiente. Mas, o rio de águas quentes e turbulentas, foi minha diversão preferida. 


Meu filho, numa determinada hora, me vendo sozinha descansando numa confortável cadeira, sugeriu que eu fosse ficar com sua esposa e a amiga. Fui. Elas me convidaram para entrar naquela água quente demais, com importantes  avisos para não mergulhar. Ao tentar entrar na piscina dali mesmo, sem o devido cuidado de descer pelos degraus, minha perna não encontrou o amparo do banco de concreto e, tibuumm!!! Caí de ponta cabeça dentro daquele tanque. Fui ao fundo. Quando voltei à superfície, só consegui dizer que não havia engolido aquela água com seus inúmeros componentes químicos. Quando voltei do fundo, uma das jovens-segurança já estava me socorrendo e dezenas de pessoas estavam me  olhavando. Minha nora, preocupada, me amparava e conversava com a segurança. Nunca havia me sentido tão constrangida. Não sabia onde enfiar a cara já que não poderia enfiá-la dentro d'água. 


Só agora, enquanto escrevo, fico sabendo da possível presença alí, do terrível  microorganismo “comedor de cérebros”, Naegleria fowleri, uma espécie de ameba, existente em águas quentes provenientes de rochas vulânicas, que pode  causar meningite  e levar a morte nas primeiras horas após o contato. 


Ainda bem que só morri de vergonha…



10/04/2026



Observação: devo creditar ao meu neto, Eduardo, a viabilidade desta postagem. Nao fosse ele, com suas habilidades em informática, eu nao conseguiria fazê-la uma vez que o computador do pai dele está falatando algumas teclas.

Pedido: Por favor, deixe seu nome no final do comentário, caso queira fazê-lo.







Um pouco das montanhas margeando a estrada