quinta-feira, 19 de março de 2026

Diário da vovó 4: Tia Clarice em apuros no sítio

                                 


 

Com muitas saudades das filhas, a vovó Zarinha resolveu ligar para o Brasil. Queria saber como andam as modas na sua casa. (Ainda bem que hoje tem essas modernidades de whatsapp). Assim que Clarice apareceu na telinha do celular, a vovó percebeu que ela estava toda molhada e foi logo perguntando:

-O quê houve, minha filha? Estava nadando?

-Que nada; fui resgatar uma galinha. Respondeu ela.

Então Tia Clarice começou a contar o drama com a galinha presa no entremeio das duas telas.
Pela manhã ela havia pedido ao nosso querido Cornélio que deixasse as galinhas soltas porque, além da cobra coral encontrada próxima a máquina de lavar roupas, as plantas indesejadas cresceram muito e há sempre o perigo dos escorpiões.

-Elas voltam para os poleiros no final do dia. É só contar. Elas são oito.  Explicou nosso ajudante.

Mas as chuvas não deram trégua no final da tarde. Mesmo assim, Tia Clarice, ciente da sua obrigação, foi lá contar as galinhas e fechar o galinheiro.

Está faltando uma! Constatou ela

Tia Clarice encontrou a coitada presa entre as duas telas conforme a vovó Zarinha havia pedido ao Cornélio, para evitar que os cachorros abocanhassem as distintas aves. Ela tentou uma, duas, várias vezes e a galinha não dava sinais de conseguir sair dali. De repente Theo, aquele seu cachorrinho que andava arrastando as patinhas traseiras e, que tanto ela fez, que o danadinho voltou a andar direito, entrou no galinheiro já todo molhado. Ela subiu de volta até a casa para prender o fujão. Mais chuvas nas costas, no rosto, nos cabelos…

A dona da casa da vez, Tia Clarice, voltou ao galinheiro para tentar soltar a coitada ainda presa. Desta vez encontrou o Boy, que é seu outro cachorrinho, abocanhando a penada, tirou-o dali e levou-o de volta até a casa. Voltou a cena da aprisionada e, finalmente, conseguiu afrouxar um lado da tela. Nada da distinta sair dali.

Devo contar que Tia Clarice, nada afeita às tarefas exigidas no sítio nunca havia entrado no galinheiro, nem para apanhar os deliciosos e nutritivos ovos vermelhos.

- Mãe, ela nem se mexeu. Parece que nem viu o buraco na tela que fiz para ela sair. Me esperou tirá-la de lá.

- Clarice, qual galinha é esta ? A dona das galináceas perguntou.

Diante da resposta, a vovó Zarinha, conhecedora de suas galinhas, soube tratar-se daquela que foi doada pelo Cornélio que sentia nervoso quando via a pobre coitada balançar a cabeça de um lado para outro ao ciscar o chão. Então, rindo do lado de cá, a vovó respondeu assim:

- Clarice, esta galinha é cega de um olho!


19/03/2026

Por favor, deixe seu nome no final do comentário caso queira fazê-lo.

Registros fotográficos: (entardecer no sitio) arquivo pessoal

                     
Galinha caipira

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                                  Galinha isabrown ou Embrapa



Jacu visitando o terreiro

                         Theo e Boy do meu lado

                          Theo

                                    Boy






terça-feira, 10 de março de 2026

Diário da vovó 3: Muitas aventuras

                             


Não pensem que foi fácil arrastar malas pelo aeroporto internacional de Auckland até o aeroporto doméstico que fica do lado de fora. Não fosse minha nora puxando a mala pesada pela extensa faixa verde, sob uma chuva fina, fria e com muita ventania, eu estaria perdida. Mas tudo valeu a pena ao ver meu neto me receber brincando de pique-esconde pelo saguão do aeroporto da cidade de Christchurch. Parecíamos duas crianças correndo desvairadas. Naquela hora, éramos duas crianças saudosas de abraços e de muitas brincadeiras.
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Estou por aqui há duas semanas. 

No primeiro final de semana fomos à biblioteca central do município. Entre vários espaços e livros, muitas pessoas lendo sentadas em confortáveis poltronas, outras tantas pegando ou devolvendo livros, muitas mães com seus pequenos circulando por todos os cantos. 

O prédio tem quatro andares interligados por um átrio central, com  belas escadas e elevadores de acessibilidade. No andar para a criançada havia vários outros espaços para contação de histórias, vestuários para encenações, estantes baixas para que cada criança pudesse escolher seus livros e terminais de computador para fazerem as transações desejadas. Pude ver crianças asiáticas, muitas delas chinesas, tantas outras indianas ou do Sri-Lanka, como disse meu filho. No quarto andar havia salas para várias oficinas, uma de costura, crochê e tricô, outra de computação, de robótica, etc. Saí dali encantada, mas entristecida ao pensar nas crianças carentes do meu Brasil ou, até mesmo, crianças da classe média.

No domingo, dia 17, fomos ver um amigo do meu neto desfilar na abertura do ano novo chinês, o ano do cavalo de fogo. Muitas cores, muitos cavalos, dragões, mascarados e uma charanga tocando músicas chinesas. O desfile terminou numa praça envolta pelo famoso rio Avon. Adorei ver a criançada chinesa participando do evento.

Porque a fome chegou fomos almoçar no mercado e, ao acaso, sentamos defronte a um restaurante argentino. Comida grega cheia de folhas e iogurtes envolvida numa massa de pão como um sorvete.

A seguir caminhamos ao longo do rio Avon com suas margens arborizadas  por inúmeras árvores de  bordos (árvore nativas da Coreia do Sul e do Japão, cujas folhas lembram o carvalho e, que no outono ficam da cor do vinho tinto). 

Papai esta é aquela folha? Dudu agacha e apanha a tal folha. Uma folha de Ginko, lembrou-lhe seu pai. A tal folha, segundo meu neto, pertence a uma árvore que tem  vivido desde a época dos dinossauros. Chegando em casa me mostra seu livro sobre a evolução da Terra com suas plantas e animais das correspondentes eras terrestres. Fiquei pasmada com esta informação. (Lembrei do medicamento Ginkgo biloba que muitas vezes prescrevi conforme fui orientada por colegas da clínica médica, da homeopatia e da geriatria)

Meu neto, às vezes, vem devagarinho encostando e sentando no meu colo enquanto escrevo ou enquanto estamos conversando ao redor da mesa. Nesses momentos sinto-me no céu.

                 Vovó Zarinha
 
Observação: meu neto fez as mudanças no layout do meu blog  e sua a mãe fazendo um posterior ajuste. Espero que tenham gostado.

Registros ¨fotográficos": aprendi com nosso saudoso Sebastião Salgado que o celular apenas registra aquilo que queremos enquanto a máquina  faz a fotografia.

- Por favor, deixe seu nome no final do comentário caso queira fazê-lo.



Folha de Ginko


Worcester Boulevard


Restaurante Argentino




Rio Avon








Ano Novo Chinês


Afinal é o ano do Cavalo


Folha do livro do meu neto em que mostra a folha de Ginko ao lado de dinossauros

27/02/2026