Com muitas saudades das filhas, a vovó Zarinha resolveu ligar para o Brasil. Queria saber como andam as modas na sua casa. (Ainda bem que hoje tem essas modernidades de whatsapp). Assim que Clarice apareceu na telinha do celular, a vovó percebeu que ela estava toda molhada e foi logo perguntando:
-O quê houve, minha filha? Estava nadando?
-Que nada; fui resgatar uma galinha. Respondeu ela.
Então Tia Clarice começou a contar o drama com a galinha presa no entremeio das duas telas.
Pela manhã ela havia pedido ao nosso querido Cornélio que deixasse as galinhas soltas porque, além da cobra coral encontrada próxima a máquina de lavar roupas, as plantas indesejadas cresceram muito e há sempre o perigo dos escorpiões.
-Elas voltam para os poleiros no final do dia. É só contar. Elas são oito. Explicou nosso ajudante.
Mas as chuvas não deram trégua no final da tarde. Mesmo assim, Tia Clarice, ciente da sua obrigação, foi lá contar as galinhas e fechar o galinheiro.
Está faltando uma! Constatou ela
Tia Clarice encontrou a coitada presa entre as duas telas conforme a vovó Zarinha havia pedido ao Cornélio, para evitar que os cachorros abocanhassem as distintas aves. Ela tentou uma, duas, várias vezes e a galinha não dava sinais de conseguir sair dali. De repente Theo, aquele seu cachorrinho que andava arrastando as patinhas traseiras e, que tanto ela fez, que o danadinho voltou a andar direito, entrou no galinheiro já todo molhado. Ela subiu de volta até a casa para prender o fujão. Mais chuvas nas costas, no rosto, nos cabelos…
A dona da casa da vez, Tia Clarice, voltou ao galinheiro para tentar soltar a coitada ainda presa. Desta vez encontrou o Boy, que é seu outro cachorrinho, abocanhando a penada, tirou-o dali e levou-o de volta até a casa. Voltou a cena da aprisionada e, finalmente, conseguiu afrouxar um lado da tela. Nada da distinta sair dali.
Devo contar que Tia Clarice, nada afeita às tarefas exigidas no sítio nunca havia entrado no galinheiro, nem para apanhar os deliciosos e nutritivos ovos vermelhos.
- Mãe, ela nem se mexeu. Parece que nem viu o buraco na tela que fiz para ela sair. Me esperou tirá-la de lá.
- Clarice, qual galinha é esta ? A dona das galináceas perguntou.
Diante da resposta, a vovó Zarinha, conhecedora de suas galinhas, soube tratar-se daquela que foi doada pelo Cornélio que sentia nervoso quando via a pobre coitada balançar a cabeça de um lado para outro ao ciscar o chão. Então, rindo do lado de cá, a vovó respondeu assim:
- Clarice, esta galinha é cega de um olho!
19/03/2026
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Registros fotográficos: (entardecer no sitio) arquivo pessoal






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