Uma história que não esqueci
terça-feira, 13 de outubro de 2026
Apresentando "Juju, a baleia encantada"
Uma história que não esqueci
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Suruba na História - Crônica Nonsense
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Carta para meu neto, 21 de setembro de 2026
Funil, 21 de setembro de 2026

Severina antes e depois
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Poema Física de um amor

quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Crônica: Mudanças em mim
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Crônica: Uma mulher chamada Fina
Quando soube que ela estava morando no asilo da minha pequenina cidade natal, quase não acreditei. Não é possível! Ela fez parte da minha infância. Muitas vezes ficava olhando para ela da janela da casa da minha avó, pensando sozinha com os meus botões.
Mais do que querer vê-la, eu precisava olhar para ela, conversar com ela. Seria uma maneira de entrar em contato com minha infância outra vez. Eu faria uma viagem no tempo percorrendo toda a história que ouvia contar dela. E adorava ouvir falar dela ou de quaisquer pessoas da sua família.
Jamais esqueci seu andar apressado jogando o tronco sobre o abdome, carregando nas mãos seu terço, o véu branco dobrado, com os folhetins das missas daquela semana e suas cantorias. Às vezes estava toda vestida de branco com a faixa azul-claro em volta do pescoço, símbolo das Virgens de Maria. Seriam dias de festas religiosas?
Ela morava na maior casa da praça, numa esquina. Um grandioso chalé. Teria sido herança da velha tia que não se casou? Será que ela foi criada por essa tia? Acho que aquela tia morreu quando eu ainda era bem criança. Não me lembro dela e nem de ter entrado naquela casa mesmo sendo parente bem próxima. Nem precisava. Se fosse lá poderia ter quebrar o encanto que eu sentia por Fina. Ou melhor, pelas duas irmãs inseparáveis.
Amém.
25/08/2026
sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Carta a um desamor
Boa noite Antônio,
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Agosto a gosto
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Escrita "nonsense": Dona Baratinha
terça-feira, 21 de julho de 2026
Crônica : A caderneta da minha mãe
domingo, 12 de julho de 2026
Poema: Amar - fazer-se verbo
quinta-feira, 9 de julho de 2026
Crônica: Por onde andará minha inspiração?
Livros que estou lendo atualmente. Maravilhosos
Flor de cera
terça-feira, 16 de junho de 2026
Poema: Copa do Mundo de Futebol - 2026
Com muito orgulho
Com muito amor”
Até bem pouco tempo
sabia os nomes de todos os onze jogadores titulares da Copa de Setenta
Mas, à medida que o tempo andava, eu crescia e
entendia as mazelas criadas pelo capital.
Então, dediquei o canto do meu coração canarinho às pessoas sem vez e voz
Hoje, numa copa em desatino,
busco de novo minha lembrança perdida,
encontro Sócrates, Falcão,
aplaudo nosso Rei-naldo,
Hoje sei o nome de apenas um jogador brasileiro:
aquele que cai em campo,
rola em milhões de dólares,
e do qual me recuso a escrever o nome
Mas lá, dou de cara com aquele governante
estúpido, mentiroso, ditador, medíocre,
Um senhor das guerras
que se aventura ao desejo de ser dono do mundo.
Saio de lá, onde nunca deveria ter entrado.
Junto-me àqueles que foram barrados, humilhados, interrogados
E beijo-lhes os pés.
12/06/2026
Fotografia: bandeira de Cabo Verde, em homenagem ao goleiro "Vozinha", à seleção Tubarões azuis e a toda nação cabo-verdiana. Hoje meu coração também é cabo-verdiana.
quarta-feira, 20 de maio de 2026
Crônica: Encontro com o filho
Já conversei bastante com meu filho sobre minha viagem de volta ao Brasil. Falei sobre a surpresa boa com o atendimento da empresa aérea, sobre o problema que enfrentei no gigantesco aeroporto de Guarulhos e meu desembaraço para resolvê-lo. Já conversamos e nos vimos através deste aparelhinho que tem tomado conta das nossas vidas, das vidas alheias e, até, derrubado políticos e candidatos.
Pois bem, agora não é disto que quero falar, apesar do meu riso sarcástico sobre o novo filme “O Financiamento Secreto”. Deixemos isto para os graúdos resolverem. Agora quero falar de outras coisas. Quero falar dos detalhes que me acompanharam durante nossas infindáveis caminhadas pela cidade, meu filho e eu. Pra começar, confesso que aceitava todos os convites do meu filho para caminhar, mesmo já tendo caminhado naquele dia e mesmo estando com meus quadris ferroando de tanta dor, eu ia. Jamais perderia um momento sequer para estar ao lado dele. Escutava-o falar sobre seus projetos de vida com a família, sobre seu trabalho atual, sobre suas avaliações da política brasileira atual, suas assertivas sobre os ataques de Israel contra os palestinos e libaneses, sobre o ataque dos EUA ao Irã, sobre a guerra Rússia x Ucrânia, etc. Seu pensamento crítico, sua inteligência e a clareza de suas avaliações não me deixaram dúvidas do fato dele ser é um grande analista em ciências políticas nacionais e internacionais. Naqueles momentos eu só queria ficar em silêncio para absorver cada palavra dita de forma segura e lúcida.
Outra hora eram meus joelhos que doíam, e doíam muito. Então, sugeria a ele que sentássemos um pouco aproveitando uma sombra ou um banco bem colocado. Por duas ou mais ocasiões lhe perguntava se nosso tempo daria para dar uma volta naqueles espaços gigantescos. - Oh mãe, dá até para dar mais de duas voltas! Ele me respondia e dava um sorriso. E lá íamos nós. Ele caminhando com passadas largas e eu carregando minhas dores da bursite crônica do trocanter (fêmur) esquerdo, das patas de ganso dos dois joelhos e dos quadris. Jamais iria reclamar. Não perderia sua companhia por dor alguma. Eu não deixaria de aprender história, política, geografia, relações internacionais, conflitos mundiais, filosofia, e tantas outras coisas. Entretanto, nada disto me fora mais importante do que estar acompanhada por meu filho, de sentir amada e querida por ele.
Um dia ele me disse que me levaria para uma caminhada num local diferente, como se cada dia não fosse diferente e num local diferente. Naquele dia ele não foi ao trabalho. De carro ele me levou para regiões distantes da sua casa. Chegamos a um parque florestal. Logo vimos várias pessoas em famílias ou mesmo solitárias, caminhando por ali. Através de um painel ele escolheu qual trilha iríamos fazer. Ai, meu Deus! Uma caminhada morro acima! Inicialmente entre muitas árvores, daí a pouco começamos a subir numa trilha entre pedras. Vi uma mãe com um bebê amarrado no peito e outro filho, muito pequenino, caminhando ora na frente, ora atrás da mãe. Logo vi outras mães e outros bebês aconchegados a elas.
Continuamos a subir e a olhar a cidade dos pontos mais altos. Eram minhas dores e eu em silêncio. De repente estávamos ao redor de pirambeiras de pedras. Isto aqui é a boca de um vulcão? Fiquei deveras impressionada com o que via. Estávamos na beirada de uma pedreira. E a boca, do que teria sido um vulcão, querendo nos engolir. No ponto mais alto, um mirante com um painel a nos dizer que tratava-se de uma pedreira de 7 milhões de anos, atualmente desativada. Toda a região havia se transformado no Halswell Quarry Park. (1). E, lá de cima, avistamos, ao longe, as monhanhas nevadas dos Alpes do Sul, do outro lado da cidade
Ainda, sob o efeito do que havia visto e, circundando a boca daquilo, começamos nossa descida, agora entre árvores e escadas de madeira e pedras. Então visitamos alguns jardins como o jardim japonês, o jardim coreano e esculturas, como presentes das “seis cidades irmãs”, aquelas com as quais a cidade de Christchurch mantém relações amistosas. (2)
Voltei para casa com a imagem daquela boca de pedra a me impressionar.
Entretanto, o que mais me impressionou foi o carinho e a sensibilidade do meu filho junto a mim.
Francisco, meu filho, eu te amo tanto que até doi. E doi mais que todas as minhas dores articulares juntas.
Muitas saudades.
Brasil, 20/05/2026
Observações: - por favor, deixe seu nome no final do comentário caso queira fazê-lo.
Fotografias: - Capa: Francisco e eu na despedida no aeroporto em Auckland.
- Demais fotos: arquivo pessoal
Notas:
(1)The story of Halswell Quarry Park, para caso você queira conhecer e se encantar com a história e os vídeos do Parque da Pedreira de Halswell
(2) Cidades irmãs: Adelaide (Austrália), Christchurch (Reino Unido), Kurashiki (Japão), Seattle (EUA), Songpa-gu -Seoul (Coreia do Sul), Wuhan (China)
Outro ângulo
Francisco (flagrado)
Presente de uma das "cidades irmãs" Seul?

