(*)Adoro tomar café aqui. Kero Bolo
Nas últimas semanas não tenho conseguido escrever. Abro gavetas, mexo e remexo em meus guardados, releio cartas antigas - amo minhas cartas - Na semana passada encontrei uma carta escrita por meu tio padre, parabenizando pela minha graduação em medicina, selada e datada em 21 de dezembro de 1981 conforme carimbo do correio. A letra é impecável. Mas nada de encontrar inspiração para escrever. Por onde andará essa danada?
Algumas vezes abro meu guarda-roupa e olho minhas roupas. Esta eu usei em tal lugar, aquela usei naquele encontro, esta foi comprada na feira da Avenida Paulista, quando fui lá com algumas amigas. Adoro sentir o perfume das peças lavadas por mim, é claro! Alguns segredos andam escondidos ou pendurados nas minhas roupas. Proibido falar! Ordeno a elas.
Assim, sem saber o que fazer, ando plantando e replantando flores e cuidando do meu jardim, Recentemente conheci uma apaixonada e entendedora das plantas. Já nos tornamos amigas. Ela tem me ensinado muito sobre a terra, as folhas caídas no outono, as florações, os frutos, a preparação dos canteiros e muito mais. Até me presenteou com chá das flores de hibisco e temperos finos feitos por ela.
Outras vezes vou ao galinheiro mas as galinhas não me dão bola, só querem rações e milho. Mas volto parecendo uma criança feliz com os ovos nas mãos. No galinheiro também não encontrei a desaparecida inspiração.
Olho de soslaio para o canil. Não gosto de ver meus cachorros presos. Paçoca, Totó (apelido de Ernesto Guevara, guerrilheiro argentino/cubano) e Jara (homenagem ao grande poeta, músico, cantor e professor, Victor Jara, assassinado pela ditadura chilena de Pinochet em 1974). Solto-os à noite, aí é aquela confusão. Atualmente eles andam mais tranquilos. Já não destroem tanto minhas plantas.
Devo contar também que, de tanto procurar pela minha inspiração, criei um hábito de leitura que jamais pensei em fazê-lo, ou seja, estou lendo de quatro a cinco livros de uma só vez. A experiência tem sido genial. Os livros ficam empilhados no braço do meu sofá, e pequenos post its marcam as páginas que mais gostei ou que gostaria de revê-las ou trabalhá-las. Quando acabo de ler um, já tem outro no aguardo. Por ali também não encontrei minha inspiração.
Será que a coitada da minha inspiração ficou chorando ao lado do meu neto, lá no fim do mundo?
Não sabia mais onde procurar minha inspiração. Só me restou esperar por ela.
E, hoje, como um clarão, ela apareceu. Era mesmo preciso esperar porque ela não estava por aqui nem por lá. A inspiração me foi dada de presente pelas dezenas de amigas e amigos que me abraçaram e desejaram felicidades por ocasião do meu aniversário no último dia 3 de julho.
Muito obrigada a todas e todos vocês que me trouxeram de volta minha rebelde inspiração.
08/07/2026
Funil, Mário Campos, M.G.
Livros que estou lendo atualmente. Maravilhosos
Flor de cera