quinta-feira, 30 de julho de 2026

Escrita "nonsense": Dona Baratinha



Era uma vez uma tal dona baratinha que cismou em querer representar, numa peça, o inseto da metamorfose. Tanto fez e refez que acabou ganhando o papel naquele programa kafkiano da noite do terror de segunda-feira. Comprou uma capa nova da dona cascavel, incluindo o chocalho no final da cauda. Ficou assim de morte. Guardou todo o veneno para desbaratar sobre os concorrentes caso não fosse classificada para o nobre papel. Entre os jurados estava o próprio dono daquele terrível livro famoso, que logo se apaixonou pela figura temerosa. Mas, a asquerosa concorrente, só não contava que entre os jurados estava Dom Casmurro que, muito desconfiado com aquele deleite entre os dois, preferiu aspergir Detefon na nojenta e transfigurar sua Capitu para o papel principal. 

Como dizia minha avó, o grande mentecapto matou dois coelhos duma cajadada só. Nada de baratas, nada de traição.

Assim como dizia Virgolino Lampião: "Não sou cangaceiro por vontade minha, mas pela maldade dos outros."

Observação: Esta escrita foi feita como dever de casa na Oficina de Escrita Criativa: Escrevivência, Junto à Casa de Cultura de Betim, em julho de 2026.

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