sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

Poesia: Prenhez




Eis-me a entardecer

Sobre meu cabelo
a lua derramou seu prateado

Minha pele ressequiu e coloriu como as folhas de outono

A noite escureceu meus olhares

Rajadas de vento
agitaram minhas pernas

Palavras hesitantes habitam minha boca

Entretanto dentro de mim estronda um coração como as chuvas do verão

Meu peito estufa como as sementes prenhas na terra úmida da primavera

A serenidade veio cuidar de mim

Eis-me a brotar de novo.

28/12/2023

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Crônica: Numa casa "Maōri" de orações.

                                           


Meu interesse por Nova Zelândia vem se dando ao longo dos anos, ora através de conversas escutadas como o fato de uma conhecida jovem, ainda nos anos noventa, ir ajudar a filha com seu primeiro bebê, uma vez que a mesma havia escolhido aquele país para viver. Ficava me perguntando como uma adolescente fora sozinha para um país tão distante e de tão difícil acesso? Ora meu interesse por aquele país também se dava através de postagens das mais belas paisagens reconhecidas por autoridades fotográficas de todo o mundo.

E, nestes mesmos anos noventa, assisti ao premiadíssimo filme “O Piano”. Ver aquela ilha com suas montanhas geladas costeiras, com seus povos Maōri foi uma descoberta. Eu queria saber mais sobre aquele país insular. Comecei a procurar filmes ambientados na Nova Zelândia mesmo com meu parco tempo para ser cinéfila com filhos pequenos e muito trabalho. Mas meu lazer eram os filmes e, preferencialmente, de países e povos distantes.

No início dos anos dois mil me encantei com outro filme também belíssimo, também ganhador de vários prêmios, inclusive de atriz revelação, e também filmado nas praias da Nova Zelândia. "Encantadora de Baleias" era o nome do filme cuja presença dos povos Maōri aumentou minha curiosidade. Aqueles povos com suas tatuagens e seus costumes me chamaram a atenção . O que eu jamais poderia imaginar é que viria a conhecê-los tão de perto.

Aotearoa é o nome que os Maōri -  povos polinésios das ilhas Cook - deram ao arquipélago tão logo avistaram as montanhas geladas com nuvens brancas cobrindo toda a região. “Terra da longa nuvem branca” é o significado do nome Aotearoa. Não se sabe ao certo em que época esses povos aportaram na ilha. Eram grandes guerreiros lutando por territórios menos inóspitos para suas sobrevivências. Dos preparativos para as suas lutas surgiu a dança Haka, como forma de paixão e intimidação dos guerreiros para com outros guerreiros, atualmente, apresentada com orgulho em eventos culturais pelo mundo afora.

Dani, minha nora, já tem bastante conhecimento dos povos Maōri e foi ela quem me contou muito sobre eles e suas tradições.

, assim chamarei o amigo do meu filho que, sabendo do meu interesse em conhecer mais de perto a cultura daqueles povos e, atualmente, trabalhando num Marae (“espaço” na língua dos povos Maōri) conseguiu que eu “fosse aceita” numa “cerimônia de boas vindas” restrita aos seus povos que se dá na pequenina casa de oração. M³, ao me responder uma pergunta sobre a mistura das religioes, me explicou que, devido ao fato deles terem também suas divindades e guardiões,  semelhantes às religiões anglicana, presbiteriana e católica, com seus mártires e santos, houve uma junção destas últimas pelos povos quando da colonização inglesa no século XIX. Atualmente essas "religiões” vivem harmoniosamente.

Voltando à minha visita devo dizer que, assim que entrei no Marae, me chamou atenção a beleza e a grandiosidade do local. Mais tarde M³ me falaria da arquitetura daqueles imensos espaços projetados como o corpo de uma baleia e cada espaço sendo pensado como um órgão dela. "A casa de orações é o coração da baleia" disse-me ele. 

Logo que cheguei fui apresentada a uma trabalhadora que me ofereceu um café. Daí fui sendo abraçada por várias outras  trabalhadoras do local. 

Naquele dia estavam sendo esperados cinco prisioneiros para que fosse apresentada a eles uma proposta de “reinserção social” cujo resultado do projeto já vinha sendo observado pelos diretores do presídio com outros sujeitos infratores. Ali também estavam trabalhadores de empresas e do estado acompanhando a proposta. Foi então que, entre essas pessoas, estava Lu, uma gaúcha que eu já havia conhecido e, de quem, já havia gostado.

Chegou a hora da cerimônia de boas vindas, a que chamam de Pōwhiri – no idioma deles não há a letra F que é substituída por “wh” com seu mesmo som. Todos calados caminhamos em direção à “igrejinha” sob um forte sol branco e frio. De um lado os kaumātua”, pessoas mais velhas e de grande sabedoria que conduzem a cerimônia. Atrás destes estavam os trabalhadores do Marae. Do outro lado ficaram os poucos convidados, os cinco presidiários, alguns trabalhadores do presídio, assistentes sociais e eu.

O coordenador, a quem fui apresentada, iniciou as orações em Te reo - idioma Maōri – e, logo depois, repetidas em inglês. O silêncio era total. Pareceu-me que ele falava com o coração. Eu olhava com curiosidade para aquelas pessoas com suas inúmeras tatuagens pelo rosto e pelo corpo. Já havia notado a bela tatuagem no rosto do coordenador a quem havia sido apresentada. Havia uma inexplicável serenidade ao redor. Neste momento muitas vozes dentro de mim evocavam minha vida ali. Debulhei em lágrimas. Saudades das filhas que ficaram no Brasil. Saudades antecipadas do meu neto que ficaria naquele país. Saudades de mim. Uma enxurrada de lágrimas lavou meu rosto, banhou meu coração e me refez em calmaria.

Chegada a hora das saudações. A fileira dos "kaumātua” esperava que cada convidado fosse até eles e, então, encostava seus narizes nos nossos narizes e suas testas nas nossas testas. Parecia que eu estava dentro de uma cena de filme. Depois também fui abraçada por alguns deles como nas saudações ocidentais.

Aprendi que suas tatuagens têm registros de suas vidas, de seus ancestrais e de suas posições hierárquicas na tribo. Os homens têm suas tatuagens no rosto, nádegas e coxas. As tatuagens no rosto indicam superioridade uma vez que a cabeça é considerada a parte mais sagrada do corpo.

A seguir caminhamos de volta ao centro da baleia onde um delicioso breakfast nos esperava junto à cozinha. O coordenador expos o projeto para os homens apenados, me apresentou ao grupo e agradeceu minha visita. Sentei numa mesa onde havia apenas um homem bastante envelhecido, com cabelos e barba crescidos e pude perceber que se tratava de um dos prisioneiros em busca de ressocialização. Cumprimentei-o com um leve sorriso como se o pedisse licença para sentar ali.

Terminadas as falas, fui até ao coordenador, agradeci a ele ter aceitado minha participação na cerimônia de boas vindas e o pedi para fazer algumas fotos daquele espaço e do nosso encontro e assim o fiz após sua autorização.

Voltei para casa inebriada pelo Pōwhiri e ainda mais desejosa de saber sobre aqueles guerreiros enormes,  tatuados por todo o corpo, que dançam como se estivessem debochando dos adversários ao mostrar-lhes as línguas com olhos arregalados e com gestos intimidatórios.

Decidi que ainda hei de voltar em Aotearoa, brincar muito com meu neto, passear com ele pelos parques, conhecer outras cidades e, quem sabe, ser submetida a um Tohunga (tatuador)  e um fazer uma Tā moko (tatuagem Maōri).

Assim  quero e espero.

20/12/2023

Agradecimentos: 

À Dani por tudo que me ensinou sobre os povos Maōri e sobre a Nova Zelândia.

Ao M³  pela disponibilidade e gentileza em me levar a tão sagrada cerimônia.


Observações:

Por favor, assinem os comentários para eu saber quem são vocês. Obrigada.

Fotografias: arquivo pessoal



                                             Trabalhadora do Marae e eu



                                                 Porta de entrada da casa de orações


                                                       Guardião da casa de orações



                     M³, o coordenador, coordenadora  e eu (deem um zoom e vejam a bela tatuagem no rosto do coordenador)



Guardião da casa de orações



                                                        Lu e eu no salão do
Marae


                                                    Casa de orações 
Maōri no Anderson Park




                                                               Escultura 
Maōri




                                                                M³ e eu

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Crônica: Dudu e eu num país distante

                              
   
Estou de volta à nossa amada Terra brasilis.

Meus primeiros dias naquele país insular gelado foram de deslumbramento pelo novo, foram de alegria por estar ao lado do meu neto e foram de muitas surpresas. Dani e Francisco fizeram tudo para me deixar à vontade e para me agradar. Desde comprar roupas adequadas contra o vento cortante, procurar fubá nos mercados da Índia e da China para que eu fizesse nossa broa mineira como programar várias viagens pela bela região sul da Ilha Sul. Devo confessar que demorei muito tempo para que me sentisse ali, do outro lado do planeta. Às vezes eu andava pelos arredores da casa para me certificar de que eu estava de fato naquele país. Aos poucos fui me sentindo mais livre e confiante.

Pela manhã Dudu ia para sua espaçosa e moderna escola e só voltava às quinze horas. Nesse tempo eu caminhava pelo Queens Park, numa das regiões mais belas da cidade, bem próxima à casa do meu filho.

-“Vem brincar comigo vovó!”, foi a frase que mais ouvi, entre outras, nestes noventa dias. Ainda tenho comigo a sonoridade de muitas dessas frases ditas por Dudu. Eu sentava ao lado dele, no chão sobre o carpete, por ali ficava mexendo nos bonequinhos do lego sem saber como brincar com aqueles homenzinhos articulados. Dudu pegava peças daqui e dali e, num minuto, construía naves espaciais muito superiores em engenhosidade aeroespacial do que aquelas feitas pela NASA. Eram as naves do Star Wars com seus generais, seus clones, droids e aqueles povos esquisitos de outras galáxias.

-“Não vovó, você está voando com a nave ao contrário” era ele corrigindo o sentido errado das naves voando pelo universo.

Outras vezes me chamava para jogar videogame e eu nem sabia pegar nos controles (ou manetes?).

-“Esse sou eu vovó; você está tentando me matar! Nós somos amigos!”

Outra vez estávamos construindo não me lembro o quê quando lhe disse que havia encontrado uma peça legal na caixa de lego. Ele lança um breve olhar sobre a peça e me diz

­- “Vovó, isso aí é um gatinho!”

Algumas vezes ele me pedia para sentar ao lado dele para vê-lo jogar a tal Zelda e eu ficava sem entender aquelas várias tarefas. 

Hoje avalio o quanto ele foi educado, gentil e paciente com essa avó que nem sabia brincar com ele.

E nós dois líamos muito. Ele com seus livros em inglês e eu me divertindo com as loucuras de D. Quixote e seu fiel escudeiro, Sancho Pança, ainda no primeiro volume.

Ajudei pouco nos afazeres da casa. Vejo que poderia ter ajudado muito mais. Nunca fui boa dona de casa. Gosto mesmo é dos livros e das escritas e do meu neto.

Por duas manhãs de sexta-feira acordei bem mais cedo quando pude assistir às aulas de sociologia para estudantes carentes brasileiros num cursinho popular para o ENEM. Francisco não sabe, mas aprendi muito nessas aulas e fiquei ainda mais orgulhosa ao vê-lo discutindo com os alunos deste lado de cá do mundo.

Dani é uma artista das mãos confeccionando roupas e bichinhos em crochê além da arquitetura com seus projetos incríveis. Devo a ela a construção da minha casa que, com competência e disponibilidade me ajudou em várias etapas. É também uma expert em informática e, muito mais importante que tudo isto, joga videogame com o Dudu. Eu ficava de longe, observando a alegria do Dudu, na disputa com a mãe no Mário Kart ou nas conquistas do Link em busca da princesa Zelda.

Vez por outra Francisco pedia ao Dudu e a mim para irmos ao supermercado, localizado a um quarteirão da casa deles. Dudu corria na minha frente e atravessava a avenida na faixa indicada, obviamente que lá a preferência é sempre do pedestre como deveria ser em todos os lugares. Ele sabia onde estava o que iríamos comprar, manipulava as balanças, mostrava os códigos de barra no visor, pagava com cartão de débito (lá não há cartões de crédito) ou em dinheiro e ainda recebia os trocos. Tudo sem precisar de trabalhadores. As máquinas fazem todos os trabalhos. Ficava impressionada com a desenvoltura do meu neto e sua segurança em tudo que fazia.

Dudu tem colegas de várias nacionalidades na escola. - Ficava imaginando como as professoras lidavam com os vários idiomas. Tenho pra mim que as crianças aprendem o inglês se divertindo nos espaços livres da escola, correndo de um lado para outro ou subindo na enorme árvore de corda elástica bem esticada e segura, a tal Spider web. Adorava ver a meninada escalando aquela árvore.

À noite Dudu pedia para dormir comigo e sempre queria que eu lhe contasse histórias, mas nenhuma que fosse “infantil”. Nós dois criamos versões diferentes da história dos Três Porquinhos bem antes deles mudarem do Brasil. Uma hora tinha uma “bola raio laser” iluminando a mata para evitar que o lobo mau pegasse os porquinhos. Outra vez era o macaquinho Dudu que ajudava os porquinhos a correrem do lobo. Mas lá, na Nova Zelândia, apareceu até uma vaca que tentava impedir a separação dos porquinhos da mamãe dona porca.

Contei-lhe quase todas as histórias do meu livro “Rosa nos Tempos” quando relato histórias da minha infância. 

Uma noite, quando eu pensava que ele já havia dormido, parei de contar a história e então ouvi “Vovó! Continua a história!”. Outras noites eu cantava e, numa dessas noites, continuei cantando mesmo quando ele já havia dormido. Ri sozinha percebendo que eu cantava para eu dormir.

Às vezes ele deitava comigo, mas logo desinteressava pelas histórias ou pelas minhas cantorias e ia para a cama dos pais.

Uma vez Dudu recebeu um amigo neozelandês para brincar com ele quando me colocou também na brincadeira. Harvey olhava espantado para uma velha dos cabelos de duas cores, que não sabia conversar com ele e que caía dura no chão ao ser baleada pelos inimigos, no caso, meu neto e ele. Até nossos diálogos se darem por sorrisos e olhares furtivos.

E numa manhã de outubro acordei com o chão do lado de fora todo forrado de branco. Chamei-os dizendo que estava nevando e fomos todos para o quintal. Eram pequeninos granizos que mais pareciam flocos de neve que logo apareceram esvoaçando pelo quintal. Dudu começou a catar os flocos de neve e jogar em mim. Foi uma guerra de bolas de neve por todos os lados. Ele deu gargalhadas quando uma bolota espatifou nas minhas nádegas. Devolvi o ataque, mas errei o alvo.

Foram muitas brincadeiras.

Dudu é meu amigo e os laços que nos unem ficaram muito mais fortes depois dessa viagem. Prometi que voltarei em 2025 quando ele fará dez anos. Certamente que encontrarei um pré-adolescente lindo, gentil, educado, corajoso, valente e ainda mais paciente com esta avó que tanto o ama.

Observação: por favor, assinem os comentários para eu saber quem são vocês. Obrigada

Fotografias: arquivo pessoal

                                                       Droid, personagem do Star wars

                                                     Spider web (árvore de elástico)


                                               Nave aérea que se transforma em tanque de combate



                                             Caminhando pelo Queens Park


                                       Dudu e eu na trilha do Anderson park em Invercargill


                                                 Dudu e o pai numa praia na ilha Norte


    Dudu e o pai lendo as instruções no Park das águas quentes vulcâncias na cidade de Rotorua, Ilha Norte


                                            Dudu e eu lendo na minha última noite em Alckland




                                          Indo tomar nosso breakfast no último - Auckland

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Crônica: Um belo estuário logo alí

 


Mais uma viagem-surpresa pelos arredores de Invercargill. Sentada no banco de trás na melhor companhia que poderia ter, meu neto, lá fomos nós por uma estrada quase vazia. Às margens, por todas as planícies, só víamos ovelhas. Depois de alguns quilômetros começaram a aparecer pequenas colinas e mais ovelhas.


- "Aqui dá pra fazer tobogãs" era Dudu pedindo ao pai que acelerasse o carro para sentir o prazer dos movimentos descendo os morros com velocidade elevada. Mas nada que pudesse ser comparado aos “tobogãs” da Avenida do Contorno em Belo Horizonte. Entretanto qualquer prazer seria louvável naquelas estradas nas pradarias.

Em poucos minutos pude ver aquilo que eu pensava ser o mar. Estávamos no encontro de um rio com o mar na cidade de Riverton. Do lado esquerdo águas azuis. Do lado direito águas azuis. Atravessamos uma estreita e comprida ponte já dentro da cidade.

A partir de então meus olhos se deliciaram com as charmosas casas nas encostas à nossa direita e o mar à esquerda. Logo à frente um parque infantil beirando o mar.

-"Vovó, ali tem tirolesa" e Dudu, esbaforido, foi saindo do carro e correndo para descer pendurado numa corda sobre a areia. O vento e o frio cortavam na pele do rosto. Dudu nem se importava. Ali estavam algumas mães com seus bebês, bem agasalhados, em carrinhos caminhando pela areia da praia. Alguns surfistas enfrentavam pequenas ondas, muitas pedras, água gelada e ventanias. Após muita brincadeira e querendo continuar brincando no parque, Dudu aceitou continuar viagem margeando o mar.

Entramos por um caminho sem asfalto, quase deserto, quando avistamos a imensidão do Oceano Pacífico cujas ondas vinham arrebentar-se nas pedras bem próximas ao caminho. Avistamos uns dois carros estacionados nos cantos da estrada arenosa. Era o final do caminho. Francisco me chamou para subirmos uma trilha até um mirante. Dani e Dudu ficaram explorando as pedras aonde as águas chegavam. Disseram que haviam visto um leão marinho morto estirado sobre as pedras.

Com meu filho me ajudando por alguns obstáculos e acidentes na trilha, chegamos ao mirante. Então pude ver o oceano do jeito que tanto queria ver. Lembrei-me de como os navegadores descobriram que a Terra era redonda e que não cairiam numa de suas margens caso ela fosse plana. Dali do alto poderíamos avistar um navio cargueiro se afastando da Ilha e, ao invés de ir diminuindo de tamanho como era de se esperar com a Terra plana, ele iria deixando de ser visto mas abaixando em sua altura.

Por alguns instantes fiquei imaginando os
 colonizadores anglo-europeus chegando com suas embarcações ainda em meados do século XIX. Os povos “maori” já ali se encontravam desde não se sabe quando, vindo das ilhas polinésias em busca de terras férteis e seguras contra ataques de outros povos da Polinésia conforme foi contando por Dani. Falou também que Riverton foi uma das primeiras cidades da Nova Zelândia e que ela tem edifícios da época colonial hoje tombados pelo patrimônio histórico da Nova Zelândia. Estava explicado o fato de ter visto algumas construções com arquiteturas diferentes das atuais e alguns sobrados bem antigos.

A fome apertou e voltamos pra cidade para procurar lanches. Nenhuma lanchonete ou restaurante. Era tarde de domingo. Só água por todos os lados. Nesta hora veio o sabor de sabonete que senti ao comer o arroz colorido no restaurante do alto do penhasco em Queenstwon. “Alguns países asiáticos, como a Tailândia, usam lavandas para temperar o arroz”, havia explicado Dani que é uma grande conhecedora dos sabores.

Voltamos famintos e felizes com o passeio por mais uma cidade às margens do Pacífico. E eu bastante agradecida pela surpresa e pelas informações relatadas.

Voltei a Riverton outra vez em companhia da minha nova amiga santista, Ana, com seu marido, Koca, e Patrícia, sua nora. Fizemos os mesmos trajetos. Não havia tanto frio nem tanto vento. Koca desceu nos pedregulhos e nos mostrou as imensas algas marinhas trazidas até ali pelas marés. Li nas placas, em sua maioria com nome Maori que, aquela região é a baia Taramea onde são realizados vários esportes marinhos e terrestres.

Na volta Patrícia descobriu o Café Colombo às margens do rio que nos pareceu estar sendo inaugurado naquela manhã de sexta-feira. Caminhamos até o quebra mar para ver de perto as águas salgadas se encontrando com as águas doces.

Só ao procurar informações sobre a cidade de Riverton me dei conta de que havia entendido tudo errado acerca do nome da cidade que, por ser em inglês, pensei estar subentendido que a cidade tinha o nome do rio. Oh! my god! Pois bem, ali está o estuário formado pelos rios Aparima (antigamente chamado de rio Jacob) e Pourakino que se encontram com o mar formando um belíssimo e grandiosos estuário.

Em 1998 o nome oficial da cidade passou a ser Riverton / Aparima. E gostaria de voltar outra vez em Riverton. Amo rios com seus cursos e estuários assim como amo as histórias dos povos.

Observação: por favor, assinem os comentários para eu saber quem são vocês. Obrigada

Fotografias: arquivo pessoal



                                                         
                                                  Francisco e eu no mirante


                                    
                                Dani e eu num banco de madeira esculpido como um peixe






                        Dudu recebendo a tirolesa de outro menino


                                                  
                                                 Estuário



                                
Ana, Patrícia e eu na Taramea Bay, em Riverton


segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Poema - Nosso amor






Nosso amor

Ainda exala o cheiro

Dos corpos

extasiados


Nossas juras

que não foram secretas

fizeram de mim

a esperança de

de ti


Nosso intenso amor

Fez de mim

Amante sem amado


Nosso amor

- Para sempre -

Acabou sem nós


Insepulto

Nosso amor

Fez-me viúva

De ti vivo


(03/12/2023)