Viagem surpresa
Nada me foi dito sobre a viagem. Só sabia que atravessaremos o país de uma lado ao outro, no sentido transversal da ilha sul. Meu filho mora na cidade litorânea de Christchurch, bem ao meio da costa da ilha Sul, sendo a segunda maior cidade do país com cerca de quatrocentos e cinquenta mil habitantes. É uma cidade plana com uma bela encosta que vai dar num porto marítimo do outro lado da cidade. Aqui tem uma grande colônia de imigrantes brasileiros, latinos e outras tantas colônias de asiáticos. Nos supermercados vemos pessoas dos mais variados países da Ásia, de muitas raças, com suas roupas e indumentárias tradicionais.
Dois eventos marcaram, recentemente, a cidade: um terremoto em 2011 provocando a morte de mais de cento e oitenta pessoas e um atentado terrorista em 2019, dentro de uma mesquita com mais de cinquenta mortos e oitenta feridos.
Deixemos os fatos tristes e vamos conhecer o lado do país banhado pelo Mar da Tasmânia.
Sábado cedo e lá vamos nós. Água e frutas para atravessarmos os 242 km até nosso destino, a cidade de Greymouth. Nossa primeira parada: um descampado onde havia muitos carros estacionados e pessoas de todas as idades caminhando por uma trilha em direção a várias pedras gigantes plantadas num terreno bem elevado. Silêncio total. Senti um grande bem estar ao caminhar por ali. Pedras de vários formatos e tamanhos incrustadas na terra. Estávamos diante de um Santuário Māori. (Da primeira vez que estive no país consegui participar de uma cerimônia Māori e fiquei ainda mais encantada com este povo e sua história de resistência e luta).
Dudu aproveitava cada espaço, seja escalando as pedras, escondendo entre elas e fazendo várias perguntas. Ele tem sido sempre um excelente companheiro de viagens e descobertas.
Seguimos imbuídos da paz vivenciada no Santuário. Uma parada para nosso almoço numa simpática lanchonete na beira da rodovia na cidade de Springfield.
O Santuário está localizado aos arredores de Castle Hill Village.
Passamos pelas cidades de Arthur Pass e Moana, onde existem numerosas trilhas na mata em direção às montanhas geladas que atraem trilheiros de vários lugares do país.
E chegamos no nosso destino, uma típica e aconchegante pousada em Greymouth.
Na manhã seguinte outra surpresa: Punakaiki Pancake Rocks.
- O quê será isso?
- Virgem Maria, que som estrondoso é este?
Éramos meu filho e eu nas trilhas para ver o Mar da Tasmânia. Muitas pessoas caminhando de um lado para outro entre vegetações, pinguelas, muretas de proteção e mirantes. De repente meus olhos viram pedras gigantescas dentro de um mar barulhento e ondas arrebentando nelas. Ali estavam as tais pedras gigantes, em formas de panquecas sobrepostas, esculpidas há trinta milhões de anos pelos movimentos das ondas. Inexplicável o sentimento diante de tal grandeza. Respirei fundo algumas vezes. Estávamos na altura das pedras e o mar barulhento fazendo mil caminhos por entre elas. Muitas fotos e um belo vídeo, feito por minha nora, das ondas batendo nas pedras e saindo por entre uma abertura.
- Um geiser! Brincou meu neto
Retornando ao estacionamento vi que havia mapas de outras tantas trilhas pela mata da encosta, do lado oposto ao Mar.
Entramos no espaço cultural em arquitetura Māori, mas o tempo era curto para ler tantas informações, ver as peças expostas e os souvenirs.
Voltamos ao carro e seguimos adiante.
- Ainda teria outra surpresa? Pensava eu.
Estávamos em Hokitika Gorge. Carro estacionado novamente, seguimos a pé noutra trilha em meio a uma floresta.
- Neste país parece que todos comem canela de cachorro. Eles andam sem parar por incontáveis trilhas. Assim era eu andando com meus pensamentos.
Logo no início pude notar a queda brusca da temperatura e a umidade no meio da mata. De repente uma enorme ponte/pinguela de madeira e arame, suspensa, atravessando para o outro lado da mata. Lá embaixo um rio das águas cor de turquesa.
- O que é aquilo? Era eu perguntando a minha nora. Ela me explicou que a cor azul/jade, impensável, das águas seria resultado de resíduos das rochas de granito onde nasce o rio.
Continuamos nossa trilha, agora margeando o Rio Hokitika das águas azul turquesa. Eu já não conseguia deixar de olhar o leito jade do rio.
- Como esse país é tão rico em belezas naturais, em aproveitamento e respeito aos espaços , em preservação ao meio ambiente e educação ambiental, etc. Era eu, mais uma vez, conversando com meus pensamentos.
Encantei-me com esse país desde que assisti aos premiados filmes “O Piano“ e “Encantadora de Baleias”. Jamais poderia imaginar que, um dia, meu filho viesse morar aqui e eu viesse visitá-los.
Naquela hora minhas pernas já pediam descanso.
Próxima parada, a cidade de Hokitika que tanto me aparece nas postagens do Facebook sobre a Nova Zelândia, rica tambem em sua gastronomia. Não acreditei que estivesse ali.
Meu filho e minha nora caçoando de mim, perguntaram:
- Aqui tem espetinhos de grilos, quer comer um?
21/04/2026
Observação: devo creditar ao meu neto, Eduardo, a viabilidade desta postagem. Não fosse ele, com suas habilidades em informática, eu nao conseguiria fazê-la uma vez que o computador do pai dele está falatando algumas teclas.
Pedido: Por favor, deixe seu nome no final do comentário, caso queira fazê-lo.
Fotografias: álbum da minha nora, a quem deixo meus agradecimentos.
Informações sobre o Santuário Māori
Dudu brincando com as esculturas feitas com restos de troncos trazidos pelo mar expostas na praia em Hokitika
Por do sol na praia em Hokitika
Santuário Māori
Mirante para ver viaduto em curva na rodovia
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário