quinta-feira, 9 de abril de 2026

Diario da vovó 6: Em cartaz: o maior toboágua da Nova Zelândia

                                    


Esperem que, devagarinho, chegarei onde se deu meu maior vexame por aqui, até então.


Chegou o dia da nossa viagem por entre os Southern Alps, ou seja, os Alpes do Sul na Ilha Sul da Nova Zelândia, uma imensa cadeia de montanhas por onde descem vários veios d’água. Durante o inverno as montanhas cobrem-se de gelo e as águas que descem ficam azuladas. São  paisagens inimagináveis ao longo de toda a estrada até a cidade de Hanmer,  onde passaríamos o final de semana num grande parque aquático com  piscinas termais e o maior toboágua do país.


Como sempre, tudo muito bem organizado. Várias piscinas espalhadas por um amplo espaço entremeadas por muitos jardins. Piscinas de variados tamanhos e formas, com degraus, corrimão e bancos dentro delas para que fiquemos sentados. Do lado de fora de cada uma havia informações sobre temperaturas - de zero grau até 42 graus celsius - e  os  componentes químicos de todas elas. Na primeira delas que entrei achei que viraria um ensopado: muito quente.

Mas o Dudu queria mesmo era aproveitar os toboáguas. Com Rafael, o amigo do pai, eles começaram a subir e descer dentro daquele tubo verde-amarelo que desacelerava numa rampa a quase noventa graus em relação ao eixo central da Terra como já havia  explicado minha nora, arquiteta.

Não vou naquilo de jeito nenhum, fui logo dizendo ao meu filho. Mas a sedução pela experiência foi crescendo dentro de mim. Na segunda vez aceitei o desafio. Subi os oitenta degraus até a plataforma de embarque daquela coisa. Na boia, meu filho na frente e eu atrás segurava nas alças daquilo. E lá vamos nós. 


Ah seu filho da p*ta, como que você faz isso com sua mãe, seu desgraçado, filho da mãe, você me enganou! Socorro!    


Era eu, sem parar, gritando com meu filho que só ficava dando gargalhadas. Quando saímos na rampa, tive a sensação de que iríamos capotar.


Deus me livre de um troço deste! 


Dudu aproveitava o amigo nos diferentes toboáguas. 


Fiquei feliz por ter conseguido ir e vir,  nadando, na piscina pré-olímpica, de temperatura ambiente. Mas, o rio de águas quentes e turbulentas, foi minha diversão preferida. 


Meu filho, numa determinada hora, me vendo sozinha descansando numa confortável cadeira, sugeriu que eu fosse ficar com sua esposa e a amiga. Fui. Elas me convidaram para entrar naquela água quente demais, com importantes  avisos para não mergulhar. Ao tentar entrar na piscina dali mesmo, sem o cuidado de descer pelos degraus, minha perna não encontrou o fundo e, tibuumm!!! Cai de ponta cabeça dentro daquele tanque. Quando voltei à superfície, só consegui dizer que não havia engolido aquela água. Uma das meninas-seguranças já estava me socorrendo e dezenas de pessoas me  olhavam. Minha nora, preocupada, me amparava. Nunca senti tanta vergonha. Não sabia onde enfiar a cara já que não poderia enfiá-la dentro d'água. 


Só agora, enquanto escrevo, fico sabendo da    presença, naquelas águas, do terrível  microorganismo “comedor de cérebros”, Naegleria fowleri, uma espécie de ameba que pode  causar meningite  e levar a morte nas primeiras horas após o contato. 


Ainda bem que só morri de vergonha…



10/04/2026



Observação: devo creditar ao smeu neto, Eduardo, a viabilidade desta postagem. Nao fosse ele, com suas habilidades em informatica, eu nao conseguiria fazê-la uma vez que o computador do pai dele esta sem algumas teclas.

Pedido: Por favor, deixe seu nome no final do comentário, caso queira fazê-lo.









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