domingo, 8 de setembro de 2019

Nós, o ar e o Lula Livres




Lembro lá em 2002 a festa que foi em casa e não entendia bem o porquê.
Hoje, com todo esse circo que está armado no Brasil, consigo ver claramente que a felicidade dessa mulher maravilhosa ao meu lado na foto não era por ela, e sim porque o povo brasileiro ia ter um pingo de esperança e dignidade.
A vergonha do governo é enorme, mas o orgulho de ter crescido e aprendido com uma pessoa honesta, íntegra e trabalhadora é MUITO maior.
Obrigada mãe, por ter me ensinado e proporcionado tudo que levamos pra luta hoje, ela só está começando.
Teve Lula Livre no show do Alceu Valença no Inhotim e a galera correspondeu demais, foi lindo!


Eulália, 08/09/2019

OBSERVAÇÃO: ontem, dia 7 de Setembro, minha filha, Eulália, e eu tivemos uma experiência bem singular. Estivemos no Inhotim, Brumadinho, MG, assistindo a apresentação do Orquestra Ouro Preto, sob a regência do maestro Rodrigo Toffolo, com Alceu Valença quando ao final, durante a canção Anunciação, minha filha levantou a faixa LULALIVRE, começou a cantar e a dançar. Obviamente a mãe orgulhosa ficou filmando e não viu a repercussão do ato. Várias pessoas também a filmaram e, à saída nos jardins, algumas pessoas pediram para que fossem fotografadas com ela e sua faixa. 
Queremos nosso país de volta. Nossa soberania e nossa alegria. 

Maria do Rosário Nogueira Rivelli

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

UM SONHO.





Ele descia a rua com seu passo dançante. Não vi se naquele dia ele trazia a costumeira marmita de alumínio envolta num branquíssimo pano de prato. Reparei que seus cabelos estavam bem penteados, com as ondulações escurecidas e brilhantes do tonalizante masculino da época, o famoso "Grecin". Suas roupas eram adequadas, comuns. Reparei também que chegava sozinho. Provavelmente vinha do trabalho senão estaria de braços dados com a esposa.

O que chamava a atenção era seu sorriso de mansidão ao cumprimentar os vizinhos. Ele descia a rua. E a rua parava para vê-lo passar. Será que trabalhava na mineração? 

Era um homem como outro qualquer. Tinha sua casa como todas as outras da rua. O capricho ficava por conta de sua eterna namorada. Não era um homem rico. Era respeitado pelos outros homens da rua. Era um homem cheio de carismas.

Subindo a rua havia um outro homem. Também tinha um sorriso estampado na face. Entretanto trazia em si uma face de sofreguidão. Vestido sempre com extrema elegância. Morava na casa mais bonita da rua de cima. Lembro-me dele andando de um lado para outro no belo jardim da sua casa. Às vezes assobiava uma canção desconhecida. Era de poucos amigos. Tinha um emprego que lhe garantia bons salários e uma vida de luxos. Quando o via, notava que seus olhos buscavam algo nas alturas. Quem sabe a paz que parecia lhe faltar?

Agora esses dois homens cruzam na minha rua.

Primeiro aquele do sorriso manso descendo a rua. Depois, este do sorriso sôfrego, subindo a mesma rua. Era a minha rua.

Ao cruzarem, sem que um se soubesse do outro, apareceu no meio deles uma mulher. Não uma qualquer mulher. Mas uma mulher que não precisava de sorriso, indumentárias, ou qualquer palavra. Ela se fazia toda. Não carecia de nada. Apenas olhou para os dois homens. De alto a baixo. Estava dito. Entre o operário e a nobreza havia o desejo de uma mulher. Ser vista. 

Assim é o inconsciente. Mesmo dormindo ele não pára de desejar. 

Então acordei de um sonho entre dois homens tão iguais e tão diferentes. E meu sonho apenas veio me confirmar aquilo que eu já sabia, ou seja: como eu gostaria de ser tal e qual aquela mulher! 

Se assim fosse certamente eu teria o amor do terceiro homem. Aquele que não aparece nos meus sonhos porque dorme preguiçoso dentro do meu peito.


05/09/2019

(Foto feita por mim num dos Palácios da Família Real, em Londres em julho de 2018)

 05/09/2019