quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Crônica: Rainha do Carnaval de Conselheiro Lafaiete 2018


A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas no palco e área interna
Foto de Osmir Camilo( Grupo Lesma)


Foi assim: voltei para esta cidade e precisava de alguém para me ajudar na rotina da casa. Nunca fui boa nestas coisas. Começava a arrumar minha casa pela manhã e, à noite, estava exausta e minha casa toda desarranjada. Logo telefonei para uma das moças indicadas por familiares. O pai estava doente e ela não poderia deixá-lo sozinho. Telefonei para a segunda;

-Tenho disponibilidade sim. Quando você quer que eu comece?

No dia marcado tocou a campainha e lá fui eu atender. O sorriso da moça e seu carisma logo me chamaram atenção. Sentamos e tomamos o café da manhã juntas. Falei sobre o trabalho e combinamos dia e horário. Minhas filhas, jovens, logo começaram as conversas com a moça.

Durante todo o dia fiquei a observá-la.  Calada, discreta e firme no trabalho. Sentou para almoçar conosco e falou um pouco de si. Falou do desejo de aprender inglês e de continuar seus estudos. 


No final do dia, mais uma vez, combinamos novos trabalhos e, ao adicionar seu nome no meu celular, escrevi MARINA MODELO. Não tive dúvidas de que a moça, tão menina, teria tudo para ser uma grande modelo. Faltariam oportunidades. Nas próximas semanas conversamos sobre tal possibilidade. Ela, sabiamente, já vinha procurando as tais oportunidades.

Na semana seguinte a moça não apareceu. Fiquei decepcionada. Entretanto ela já havia enviado mensagem informando que fora acompanhar o pai numa consulta em Barbacena e que estaria livre noutro dia. Não havia visto tal recado. 

No dia combinado ela falou da longa e grave doença do pai e da necessidade de acompanhá-lo. Tudo bem. Minha casa não iria se importar de ficar mais bagunçada por uns dias.

A seguir nossos laços foram se estreitando e todos nós gostando cada vez mais da moça.

Não sabíamos que nossa diarista estava concorrendo no tal cargo e, no dia seguinte em que fora coroada "Rainha do Carnaval de Lafaiete", ela chegou para mais um dia de sua rotina pesada. Meu irmão havia enviado sua foto da noite em que fora eleita. Dei-lhe os parabéns. Ela ainda nem havia visto sua foto estampada nos jornais eletrônicos. E eu nem sabia ainda que seu nome é Ana Marina. Um belo nome para uma bela Rainha.

Tratá-se de uma menina de vinte e dois anos, da cor preta como a noite, do sorriso brilhante como o sol, do corpo perfeito como o pecado, da gentileza dos mineiros do interior, da educação dos que tiveram palavras de pai e mãe e da falta de oportunidades daqueles que nasceram pobres neste país tão rico.




Ana Marina é filha deste Brasil tão belo e tão desigual. É o retrato da raça tão aguerrida dos negros que vieram escravos da África e que continuam construindo este imenso país. É a mais bela flor nascida nas adversidades destas terras brasilis.

Parabéns aos carnavalescos de Conselheiro Lafaiete pela escolha desta moça e parabéns ao povo da cidade, entre os quais eu me incluo, por nossa Rainha tão nobre.

E viva Ana Marina Modelo, Rainha do Carnaval de Conselheiro Lafaiete deste ano de 2018.


OBSERVAÇÃO: Ao povo da cidade de Lamim (Minas Gerais) meus parabéns e nosso agradecimento por nos dar tão nobre Rainha.

!4/02/2018, quarta-feira de cinzas

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