quinta-feira, 23 de junho de 2016

Crônica: " Bonitos em Bonito lV"

           Último dia
   

   Hoje, ao constatar o fato de ter excluído a primeira crônica desta série do meu blog devido à minha  incompetência em informática, tomei ânimo, resolvi voltar a Bonito e escrever nosso último dia naquele paraíso terrestre.

   Depois do meu encantamento com o Buraco das Araras pensei que já era o bastante para aquela nossa viagem de férias em meio ao Parque Nacional da Serra da Bodoquena, na borda sudoeste do complexo do Pantanal, no estado do Mato Grosso do Sul, divisa com o Paraguai.

   Mas, para minha surpresa, no inicio da manhã do nosso dia de retorno à realidade, ainda tivemos tempo para a visita à gruta do Lago Azul. 

   Ali chegamos antes da sete horas da manhã e logo nos encaminharam para uma sala de aula. Todos devidamente sentados para ouvir as instruções do passeio. Capacete obrigatório. Silêncio na decida. Silêncio na subida. Calçados adequados para não correr o risco de escorregões.

   Pensei se queria descer tantos degraus para ver aquela gruta. Nós, mineiros, conhecemos as maravilhosas Grutas do Maquiné em Cordisburgo e a do Rei do Mato em Sete Lagoas. As deamais por aqui ainda não conheço. Será que naquela gruta haveria alguma novidade? Foi o que me perguntei para uma provável desculpa no caso da minha recusa na exploração rumo ao fundo da Terra. Mas companheirismo, para mim, é essencial em viagens de grupo. E meu grupo esteve junto em todos os momentos. Não faria o que eu pensava que fosse uma desfeita. 

   E lá fui eu com meu capacete e um tênis velho e confortável. Nossa guia, uma turismóloga, foi à frente, parando de vez em quando para as explicações. Seriam 294 degraus, em decida íngreme e perigosa, até o lago.

   A entrada, uma pequena fenda na rocha, ficava escondida pela vegetação o que, a princípio, não me seduzira para entrar nela.

   Explicava nossa guia: "A gruta fora descoberta em 1924 por um índio Terena e sua caverna possui no interior, na parte mais baixa, um lago  que é considerado uma das maiores cavidades inundadas do planeta". Entretanto para decepção nossa, foi-nos dito que a coloração azulada só aparece quando os raios solares incidem em determinada posição da rocha, através de um buraco no alto do teto da mesma. E que isto acontece durante apenas doze dias do ano, entre final de dezembro e inicio de janeiro. E todos lamentamos a informação.


   Foi-nos falado também que em 1992, vieram pesquisadores franceses e brasileiros, espeleomergulhadores, que mergulharam até 90 metros de profundidade no lago e descobriram fósseis do tigre de dente de sabre e de uma preguiça gigante. Tais animais teriam vivido por aqui entre 6.000 e 10.000 anos atrás. Mas eles não conseguiram descobrir a origem daquela água. Pensaram haver ali um rio subterrâneo que alimentaria o lago.
  
    Eu fiquei muito curiosa com os tais insetos encontrados dentro daquele lago e que jamais viram a luz do sol. Meu filho já me havia falado desse microrganismo cujo nome é muito estranho como todo nome científico da fauna e da flora e que mede 9 mm. Não consegui lembrar o nome mas pensei trata-se de um "extremófilo" ou seja, animal que sobrevive nos locais mais inóspitos do planeta.
 
   Voltamos à superfície, eu e minha irmã, bufando e parando a cada trecho. Afinal estávamos subindo o equivalente ao décimo oitavo andar de um prédio. Em degraus úmidos, escorregadios e sem proteções laterais senão por uma corda de nylon.

   E foram muitas as minhas perguntas que ficaram sem respostas e que continuarão apenas enquanto questões. Ainda há muito o que pesquisar e descobrir por ali.

   Era hora de voltar ao hotel, pegar nossas malas e irmos para o aeroporto. 

   Nosso pequeno avião já estava pronto para a decolagem. E foi dentro do avião que retornei à minha vida de trabalhadora, mãe e, agora, avó do Eduardo que tem Vida como sobrenome. E Dudu, aos seis meses, é o melhor presente que a vida me deu.

   Em Viracopos encontramos um outro aeroporto. Esse funcionando pelo primeiro dia com muita confusão e poucas informações. Gigantesco, moderníssimo, passarelas rolantes e nada ainda em seu devido lugar. Obviamente nos perdemos ali dentro. E o nosso sexteto andava de um lado para outro, pedindo informações sobre onde estaria o ponto do ônibus que faria a conexão para a rodoviária de Campinas. Empurrando ou arrastando malas daqui e dali chegamos ao luxuoso e enorme Lirabus que nos levou ao nosso destino.

   Então nos dividimos entre abraços e saudades antecipadas. Uns para o interior de São Paulo e eu e minha irmã para nossa querida BH. Agora eu estava tranquila. Faria minha viagem terrestre e tomaria café com leite nas paradas da BR Fernão Dias.

   Dentro do ônibus dormi. Sonhei que eu estava sem ar debaixo das águas do lago Azul, no fundo da gruta. Acordei assustada e com dificuldade de respirar. Era mais uma crise de apneia. 

   Fico sem ar todas as vezes que me encanto. Certamente  morrerei encantada.

16/06/2016


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