domingo, 31 de dezembro de 2017

Carta de Amor VI

Esta é uma carta de amor a todo(a)s aquele(a)s que ainda tem, no passado, amores não vividos. E que, em 2018, continuemos nostálgicos e cheios de amor.



Meu amor

Minha inspiração desapareceu há exatos trinta dias. As palavras, certamente, fizeram greve e se refugiaram no além. Entretanto eu, que ainda continuo perdida, necessito de ambas para sobreviver aos imperativos que brotam dentro de mim.

Procurar você por todos os lugares tem sido meu destino. Procurar por suas palavras e desencontra-las tem sido meu cotidiano.

Afinal onde estamos nós?

Às vezes escuto dizer que "águas passadas não movem moinhos". Ou que "figurinha repetida não completa álbum". Simplesmente ignoro tais ditos e continuo procurando você. 

Ai de mim não fossem as lembranças que trago de nós! O que seria eu não fosse meu preenchimento de ti? Para onde iria sem suas palavras cheias de sentidos?

Insistir no que se foi? Insistir no que acabou? Remoer um passado que não volta mais?

Não!!

Pois o que seria de mim sem nossa história?

Ouso reviver cada momento de sonho, de felicidade, de esperanças, de puro prazer. E assim ter inspirações e palavras para escrever cartas de amor; para escrever as reminiscências de um encontro entre dois jovens sedentos de descobertas, de conhecimentos e de futuros.

Não há que se negar tudo aquilo que vivemos. E, tudo aquilo que não vivemos, posso decidi-lo com meu querer. E eu quero muito. Quero afagar seus cabelos, hoje já tão poucos. Quero sentir o acariciar suave de suas mãos percorrendo todo meu corpo. Quero ouvir palavras escandalosas quando sentires o prazer que minhas entranhas irão te proporcionar. Quero ter suas pernas cruzadas com as minhas. Quero acordar com todo seu corpo quente acolhido ao meu.

Como podem querer que eu recuse sonhar meus sonhos?
Apenas os sonhos sabem os caminhos de nós. Então me deixem sonhar. E eu hei de querer sempre sonhar conosco.

Pois bem, ontem, um pretenso amor telefonou me dizendo belas palavras de amor e desejando um ano novo cheio de poesias. Agradeci o carinho e dormi pensando no amor que ele me deposita sem quaisquer cobranças. Ama-me apenas pelo “seu dom” como falou ao telefone.

Meu amor... Eu, imperiosamente, grito "te amo".

E terminando, desejo a todos nós amantes uns dos outros, um ano de 2018 cheio de Carlos Drummond de Andrade conforme o belíssimo poema abaixo.


Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

                              
                      
                                        Assinado: Amantes poéticas


                  Conselheiro Lafaiete, 31 de dezembro de 2017

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